quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A parábola dos 2 filhos pródigos


Na parábola dos 2 filhos pródigos-perdidos, por alguma razão o Pai esperou o regresso do filho libertino de braços abertos, fora de casa, para que o filho religioso não atrapalhasse, a fim de restaurar o libertino arrependido à condição de filho e jamais de seu escravo ou de escravo do filho religioso. Isto porque o filho religioso também era pródigo e esbanjador, pois tentava comprar e merecer o que era do Pai, jamais usufruindo a graça generosa do Pai; confiando apenas em seus méritos, esperando com seu trabalho de escravo vir a merecer o que era do Pai.

Alem de esbanjar a graça do Pai, rejeitando-a, o filho religioso tentava também esbanjar a graça que o Pai queria depositar no outro irmão. Ambos os irmãos eram pródigos esbanjadores, só que um o foi fora de casa e aprendeu a lição do Pai, enquanto o outro era esbanjador e pródigo dentro de casa e não aprendeu a lição da graça do Pai; sendo que era duplamente esbanjador e pródigo, rejeitando a graça em sua vida e na vida do irmão, o qual se dependesse dele, viveria na casa do Pai, mas como escravo de condição muito inferior à sua, como duplamente escravo, sendo escravo do Pai e seu escravo.

O Pai surpreende a ambos com a sua graça Amor, pois o Pai não é religioso, e quem nos ensinou isto foi o Filho Perfeito no Evangelho - Cristo Jesus! Glória ao Pai e ao Filho não religioso que é o Caminho!

 No fim, fora da casa do Pai, foi aprendida a lição por um dos filhos, enquanto dentro da casa do Pai, o outro nada aprendeu, porque o descobrir que se ama o Pai não depende de estar dentro da casa do Pai, uma vez que a memória presente do Pai é omnipresente na consciência do filho, onde quer que ele ande.

Esta parábola de Jesus acerca dos filhos pródigos, não é evangelistica como diz a maioria.
Esta parábola é profética, é Evangelho, sendo porção profética do Evangelho. Afinal Jesus é também o Profeta por excelência.

 Não é uma parábola evangelistica, mas antes é uma parábola profética que trata da doença dos filhos do Pai, um religioso legalista, e outro um libertino inconformado com escravidão, mas ignorante da graça, buscando a liberdade e gozo onde não existem. Afinal a religião não alegra nem salva.

O filho que saiu de casa aprendeu a lição e ao regressar-iniciar um movimento consciente de falência pessoal e de necessidade do Pai, experimenta arrependimento, o qual foi operado nele ainda fora de casa. O Pai o recebeu fora de casa, aprendendo ele com o Pai acerca da graça que alegra e salva, ainda fora de casa do Pai.

 Esta parábola era profética para o povo de Deus desviado. A parábola dos filhos pródigos é profecia para os 2 grupos de desviados e destituídos do amor e graça do Pai: - os religiosos e os inconformados com religião, mas ignorantes da graça pura do Pai. Esta parábola mostra como em Israel haviam 2 grupos de desviados: os pródigos pecadores - as meretrizes, os publicanos, toda a sorte e pecadores explícitos; e mostra o 2º tipo de desviados pecadores -  os fariseus religiosos legalistas - destituídos de consciência de Deus, sem amor, sem Deus, com pecado mascarado, vaidosos, ilusoriamente auto-suficientes, escravos, legalistas, etc...

Hoje acontece o mesmo, a parábola de Jesus alem de ser para Israel, ficou registada por Lucas quando a Igreja já se desenvolvia e nela temos o mesmo tipo de pecadores e desviados, uns dentro de casa pensando que estão bem, e outros fora de casa mas em processo de arrependimento...

Triste mesmo é a casa do Pai não ter condições para receber o filho que regressa, pois o filho religioso atrapalha, a ponto de o Pai o ter de receber fora de casa.
 Bom, muito bom, é o facto de que o arrependimento pode ser operado fora da casa do Pai, como foi com o filho devasso. Só o Pai, o Filho Perfeito Jesus e quem conhece seu amor e graça e portanto não é nenhum dos 2 pródigos, tem condições de restaurar seja quem for.

Só o Amor restaura. Quando o filho regressa, o Pai restaura-o de imediato à condição anterior de filho e desta feita mais explicitamente, para que o outro filho escravo em casa também aprenda a graça e amor do Pai.
O filho religioso dentro de casa do Pai escandaliza-se com a graça do Pai, pois a seu ver o filho devasso arrependido deveria ser apenas escravo e penar muito, ser bastante humilhado e provado, até merecer a condição de filho outra vez.

Assim são os religiosos. Ainda bem que Deus não é assim. Jesus não era e nem é assim, pois Ele restaurava as pessoas de imediato e isso não era evangelismo, era restauração do perdido que estivera na casa do Pai, pois afinal os israelitas eram povo de Deus.

 Esta parábola está viva hoje, fala hoje, a carne é a mesma, a natureza humana é a mesma, os pólos opostos e extremos são os mesmos: legalismo e libertinagem, sendo que o legalismo é mais resistente à graça enquanto o libertinismo é desesperado por graça, ainda que não a conheça.

No tempo de Jesus a liderança da casa do Pai era religiosa, não sabia restaurar os irmãos perdidos, pois também eles estavam perdidos, ainda que tivessem vidas maquilhadas pelo aparente serviço a Deus; que nada mais era que escravidão religiosa mercenária, que esperava paga por seus serviços e vir a merecer o quer que fosse de Deus, pela sua performance comportamental e litúrgica.

Os fariseus perdidos dentro da casa do Pai indignavam-se e escandalizavam-se com as Boas Novas Evangelho de Jesus quando este declarava a alegria do pai em receber e restaurar de imediato os pecadores da casa de Israel. Jesus alem de os restaurar, comissionava-os e chamava-os a uma santa vocação, como a Mateus.

Este proceder de Deus através de Jesus é louca e radicalmente revolucionário e contra todos os sistemas de religião baseados no mérito pessoal. Afinal os méritos e créditos são todos do Pai, dados através do Filho Perfeito na cruz.
A graça da cruz escandaliza os religiosos, que não aceitam o amor gracioso do Pai e nem aceitam que o pai o deposite nos irmãos libertinos arrependidos e que estavam doentes!
Na cruz, através do Filho Perfeito, o Pai espera pelos filhos arrependidos, na cruz que está fora das sinagogas e do templo de Jerusalém, na cruz onde Cristo Jesus saiu de casa e levou o escândalo do pecado sobre si mesmo.
Na cruz está o Pai de braços abertos atraindo a muitos!

Só a graça salva e pode EDUCAR a uma vida santa, conforme Paulo ensina a Tito.
Hoje a Igreja, precisa de aprender a viver graça na casa do Pai.
Talvez se lerem a parábola dos filhos pródigos sem a lerem como evangelística, mas antes interpretando-a como profética acerca das 2 condições de estar longe do Pai, talvez assim se arrependam.
O libertino estava perdido fora da casa do Pai. O legalista estava perdido dentro da casa do Pai.
Deus nos ajude a andar convenientemente na casa do Pai e no mundo, onde nada pode impedir a consciência da presença e operar de Deus!

 E disse: Um certo homem tinha dois filhos;
E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.
E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou, e não queria entrar.
E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

Lucas 15:11-32

Afinal, aprendemos assim de Jesus, que a casa do Pai é sobretudo nossa consciência da graça do Pai, o que deixa implícito que a casa do Pai somos nós, nossa consciência, nosso coração, nosso ser...

J.P. Maia, a 27 de Agosto de 2014, feliz por já ter percebido que religião não salva e que libertinagem é desespero de graça procurando liberdade no sitio errado; jubilando pela graça do Pai, reencontrada fora do que chamam de casa do Pai, no mundo, que é estrado de seus pés assim como tudo o que se chama de casa do Pai, continuando a sonhar com a possibilidade de se viver em todo o mundo com boa consciência, inclusive no que é chamado de casa do Pai, desejando o fim da religião.





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