terça-feira, 24 de outubro de 2017


A flor de Lotus - Salmo 40

David disse: Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.



A Flor de Lotus, nasce linda, bela, brilhante, viçosa e vive do lodaçal e lama de águas estagnadas donde brotou em caminho à luz do dia que a nutre. Para os orientais sensíveis á ordem de Melquisedeque, ela representa o facto de graciosamente a luz divina conseguir nutrir e manter uma criatura, tirando-a do fundo do lodo e lamaçal. É o paradoxo gracioso do belo a surgir da lama, do puro e brilhante a surgir da fealdade, para graciosamente ser nutrido embelezado pela luz divina. 

Não existe melhor definição para o Salmo 40, para David, que cometeu atrocidades, mas foi levantado para ser um Homem com coração de Deus. É e deve ser símbolo do Grande Iluminado, que não é o buda, mas sim Cristo Jesus, a luz do mundo, que sendo Deus encarnou na Humanidade caída na lama do pecado do egoísmo, para daí ressurgir, inclusive da morte, para a Luz do dia, que é a Luz que Ele Cristo Jesus é.
Cristo Jesus foi profetizado como aquele sem beleza aparente, como o sofredor na lama, quer por David 1000 a.c. , quer por Isaías c. de 650 a.c. , como a Luz do mundo, não uma luz, mas sim a Luz do mundo.

Ele desceu do puro Transcendente e encarnou na nossa lama, foi até ao mais profundo de tal lama, ás profundezas do pecado e de nossas mazelas e de lá ressurgiu, puro como sempre, cheio de luz, lindo.

Nele, em Cristo, todos podemos e devemos ressurgir da lama, embelezados por sua luz graciosa, como belas criaturas, que sobrevivem acima da lama donde foram retirados por tão gracioso Amor.

Assim fui eu retirado da lama, assim foi David, em Cristo, meditando na inefável graça de poder ser Flor de Lótus para a Luz Divina, no dia 24/10/2017, 2000 e tal anos depois da Grande Flor de Lotus ter ressuscitado da lama da morte para de todos fazer flor de Lotus.

Salmo 40

Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.
Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pôs os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.
E pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no Senhor.
Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que não respeita os soberbos nem os que se desviam para a mentira.
Muitas são, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco, e os teus pensamentos não se podem contar diante de ti; se eu os quisera anunciar, e deles falar, são mais do que se podem contar.
Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste.
Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito.
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.
Preguei a justiça na grande congregação; eis que não retive os meus lábios, Senhor, tu o sabes.
Não escondi a tua justiça dentro do meu coração; apregoei a tua fidelidade e a tua salvação. Não escondi da grande congregação a tua benignidade e a tua verdade.
Não retires de mim, Senhor, as tuas misericórdias; guardem-me continuamente a tua benignidade e a tua verdade.
Porque males sem número me têm rodeado; as minhas iniqüidades me prenderam de modo que não posso olhar para cima. São mais numerosas do que os cabelos da minha cabeça; assim desfalece o meu coração.
Digna-te, Senhor, livrar-me: Senhor, apressa-te em meu auxílio.
Sejam à uma confundidos e envergonhados os que buscam a minha vida para destruí-la; tornem atrás e confundam-se os que me querem mal.
Desolados sejam em pago da sua afronta os que me dizem: Ah! Ah!
Folguem e alegrem-se em ti os que te buscam; digam constantemente os que amam a tua salvação: Magnificado seja o Senhor.
Mas eu sou pobre e necessitado; contudo o Senhor cuida de mim. Tu és o meu auxílio e o meu libertador; não te detenhas, ó meu Deus.
Salmos 40:1-17


domingo, 19 de março de 2017

Lucas 15, Filho e Pai e casa



Todos nós já ouvimos e lemos, vezes sem conta, que o filho pródigo, quando se percebeu da sua miséria voltou para casa.
Quantas e quantas vezes não nos foi dito isto, com a melhor das intenções, não dúvido, apenas com o intuito de voltarmos a congregar no formato institucional. Mas eu pergunto.... o filho pródigo voltou mesmo para casa?

É que não me parece que tenha sido isso que aconteceu....

Vamos ver a primeira parte do verso 18 de Lucas 15


"Eu me porei a caminho e voltarei para meu PAI".

Quando dizemos que ele voltou para casa, estamos a tirar o foco do PAI e a colocá-lo na casa. Mas parece-me que o filho poderia estar com o PAI em qualquer lado. Fosse em casa, na rua, na vinha ou no campo a trabalhar. Era do Pai que ele tinha falta. Não de paredes ou de coisas.


Na segunda parte do verso 18 e verso 19, percebemos que inclusivamente ele estava disposto a deixar de ser filho, para poder estar com o PAI.


"Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado
teu filho; trata-me como um dos teus empregados”.

O que ardia no seu interior não eram a roupa, o anel, ou as festas da casa do pai. O que ardia era o seu relacionamento com o Pai. Ainda que tivesse de ser um relacionamento de empregado para patrão, era melhor que nada. O desejo do filho pródigo não era voltar para casa, era voltar para o Pai.


"A seguir, levantou-se e foi para seu pai." (v20)

Não foi a distância que causou o pecado, foi o pecado que causou a distância.
O filho podia tratar da distância, mas apenas o PAI podia tratar do perdão.


E ELE O FEZ


Com um beijo, um anel, com roupa, um sacrifício e uma festa.... e que grande festa.

Se pensarmos que quem estava em casa era uma bela peça, então percebemos que ficar em casa não significa nada em si mesmo.
Especialmente quando não há relacionamento com o Pai. Que era o caso do filho, que ficou... na casa...
Essa falta de relacionamento com o Pai, chega ao ponto de impedir de reconhecer o irmão que voltou aos braços do Pai. Este irmão caseiro preocupava-se com as coisas do Pai, com o ter ou não um sacrifício e uma festa só para ele e para os que ele reconhecia como merecedores das dádivas do Pai. Este irmão caseiro infelizmente não era capaz de reconhecer uma festa, se acordasse no meio dela, sem os seus amigos. Cheia de pródigos.


Então, corramos para os braços do Pai, vamos beijá-Lo, abraça-Lo, e festejar à grande com todos os outros filhos pródigos.



Porque o sacrifício já foi feito, foi-nos dada uma nova roupa, uma nova aliança e amor INCONDICIONAL do PAI.

Feliz dia do pai
Paulo Anselmo

quinta-feira, 9 de março de 2017

1782: O Massacre na Aldeia de índios Moravianos

#1

À 235 anos atrás, 96 Índios Moravianos em Delaware foram massacrados.


Hoje, 8 de Março de 2017, marca o 235º aniversário do massacre de Gnadenhutten dos índios Moravianos de Delaware. Foi neste dia, há 235 anos, que 96 índios cristãos foram massacrados na pequena vila índia moráviana de Gavin, no Ohio, em Delaware. Os restos desses 96 indianos cristãos ficaram espalhados aos animais da floresta e ao clima por mais de 15 anos antes de serem recolhidos e empilhados numa vala comum apelidada de "túmulo para os mártires índios cristãos".

Foi no ano de 1782. Neste amargo dia de frio em Março, um grupo de cerca de 100 índios Moravianos em Delaware estavam a trabalhar nos campos, recolhendo o milho que foram forçados a abandonar durante a colheita do ano anterior.

Fora do bosque e através da neve veio um grande grupo de soldados milicianos, coloniais, a cavalo. Enquanto os índios assustados os observavam aproximar-se, o líder dos milicianos fez um gesto amigável de saudação.

Depois de trocar saudações pacíficas, os milicianos disseram aos índios moravianos de Delaware que eles foram enviados para protege-los das tropas britânicas que se aproximavam e os acompanhariam até perto de Fort Pitt. Convencidos de que suas intenções eram honrosas, os índios cumpriram o pedido de entregar suas armas.

Assim que as armas foram reunidas, a traição foi revelada. Num movimento surpresa, os milicianos voltaram suas armas para os moravianos convertidos do Delaware e informaram-lhes que iriam ser mortos. O grupo assustado, suplicou pelas suas vidas, mas a sede de morte foi forte. Seu pedido foi negado. Quando os índios viram que não havia esperança de misericórdia, pediram tempo para orar e preparar-se para a morte. Eles receberam uma suspensão da execução apenas durante uma noite, e não mais.

Os índios moravianos, condenados, passaram a noite orando e cantando hinos, pedindo perdão a Deus pelos seus próprios pecados e pelos pecados dos homens que em breve tirariam suas vidas. Eles se consolavam e oraram pela força para aceitar seu destino com coragem com o conhecimento de que logo estariam com Jesus, no Céu.

Não querendo desperdiçar valiosas munições, os índios moravianos foram impiedosamente mortos pelas mesmas pessoas, que até hoje eram seus aliados.

Os índios cristãos não resistiram. Eles não lutavam. Eles oraram.

Eu sou compelido falar a esta matéria pois o meu avô, cristão,  Moses Stonefish, dedicou o monumento que está no parque histórico de Gnadenhutten, erigido como um memorial em 1872, e é minha família enterrada nessa tumba.

Gerard F. Heath • 8 de março de 2017
tradução Paulo Anselmo


#1 -Esta litografia de 1855 mostra o massacre de Gnadenhutten , dos índios de Moravianos de  Delaware. fonte: volume Colecções Históricas do Grande Oeste de 1855.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A pastorização da igreja



Entre o mundo dos cristãos, assistimos a um "emburrecimento" porque milhões foram "pastoreados" por um clero profissional.
A "pastorização" faz com que os frequentadores da igreja sejam incapazes de pensar por si mesmos, já que eles são informados sobre o que devem ou não acreditar, pelo clero.
Praticamente todos os dias da semana, as estações de televisão «cristãs» transmitem programas em que homens e mulheres estão de pé em plataformas, muitas vezes com os dedos apontados para a audiência, dizendo-lhe o que devem acreditar.
Há uma grande diferença entre levar o Evangelho do Reino de Deus para os não convertidos, os que ainda não nasceram de novo, e o sistema de "clero profissional" do mundo da igreja.
Embora o nome de Jesus Cristo, seja citado pela maioria dos pastores para validar suas posições, é em torno deles mesmos, que as vidas de milhões de seguidores que os idolatram, gira.

Qualquer um que lê os ensinamentos de Jesus Cristo, conforme estão registados nos Evangelhos, não pode deixar de ver a enorme diferença nos ensinamentos de Cristo e no mundo da igreja.
É espantoso assistir na televisão à quantidade incontável de ​​cristãos sentados em mega-igrejas, como crianças pequenas na escola, sendo pastoreados por clérigos infalíveis e inerrantes.
Qualquer observador externo tem que admirar-se com a aparente robotização dos membros pastoreados sentados nos bancos da igreja. 

Mas Cristo disse que só ele é o pastor - o BOM PASTOR. Jesus Cristo nunca estabeleceu esta forma de "igreja", nem o sistema de controle dos pastores sobre o rebanho de Deus.
Quando Cristo designou os seus discípulos originais, eles, por sua vez, saíram e apontaram outros para Jesus Cristo, não para si mesmos como "pastores" da vida governando o rebanho (1 Pedro 5: 3), nem Pedro e os outros pregaram por lucros imundos (Dinheiro) (1 Pedro 5: 2). Pedro e os discípulos de Cristo eram EXEMPLOS, não CEOs autoritários de «igreja-empresa».

A pastorização de frequentadores e telespectadores de igrejas, é a razão pela qual milhões de crentes são emburrecidos. Quando seres humanos deixam que os outros pensem por si, eles não podem, por sua vez, raciocinar, discernir ou pensar nas questões, porque são sempre os "professores" que o fazem, que pensam. O mesmo se passa com aqueles milhões de pessoas que apenas conhecem a "verdade" sob a forma de "notícias" da televisão.
Uma grande quantidade de reportagens e de notícias, nada mais são que a "opinião de alguém", ou de algum "grupo de interesse" que usa a "notícia" da televisão como meio de doutrinação e enganos subtis (sempre com uma pitada de verdade). 
A televisão é provavelmente a maior ferramenta que o mundo já conheceu, na qual todos sofre uma lavagem cerebral com propaganda sem fim, mentiras, enganos, impiedade e alguma pitada de verdade, tudo em nome da "notícia", do "entretenimento" e do "cristianismo".
No mundo das igrejas, o número de alegados pastores, sacerdotes, bispos e "clérigos profissionais" deve ser de muitos milhares. Nesse tal mundo de clérigos, as divisões e diferenças de  crenças, ensinamentos e práticas varia muito.... Então, todos eles representam Jesus Cristo e a verdade do Reino de Deus? Alguma coisa certamente está errada. 
Qualquer cristão que acredita que os pastores conhecem e compreendem a verdade em Cristo apenas porque se formaram em algum colégio "bíblico", e podem ler hebraico e grego, e são oradores persuasivos, é um cristão iludido!
As coisas de Deus apenas são compreendidas pelo Espírito de Deus, e não porque algum homem ou mulher é chamado de "Doutor", "Pastor" ou "Pastor Principal".
Como pode alguém saber se foi "pastorizados"? 
Podemos reconhecer um cristãos «pastorizado» se algum destes for verdadeiro:
  • Acreditam em tudo o que um pastor diz ou prega em seu púlpito.
  • Acham que seu "pastor" é um homem ou uma mulher em vez do Senhor Jesus.
  • Pensam que têm que dar o dízimo à "igreja" local e ao pastor.
  • Acham que os pastores da igreja têm autoridade sobre suas vidas, em contradição com o que Cristo ensinou (Mateus 23: 8-10).
  • Deixam que os pastores lhes digam o que as escrituras dizem, em vez de provar TODAS AS COISAS para si.
  • Deixam os pastores interpretar a Bíblia para eles, sem estudar por conta própria a verdade.
  • Acham que os pastores da igreja têm direito a uma vida de dinheiro fácil.
  • Pensam que não podem ter um relacionamento pessoal com o Pai / Jesus Cristo, sem "ir à igreja".
  • Pensam que a frequência da igreja ao domingo ou (sábado) é a maior parte da definição do que é "ser um cristão".
  • Pensam que seguir a Jesus Cristo significa ir à igreja todas as semanas e ouvir outro sermão.
  • Acreditam que os pastores são infalíveis e inerrantes e devem ser obedecidos.
  • Suas vidas giram em torno de igreja, actividades da igreja, reuniões de acampamentos, reavivamentos, conferências, seminários e intermináveis ​​reuniões, mesmo quando Jesus Cristo vive nele 24/7 através do Espírito Santo, e NUNCA É NECESSÁRIO ir aqui ou lá à procura de Cristo, Quando Ele vive dentro deles o tempo todo.
  • O foco de suas vidas gira em torno de ouvir pastores pregar, ao invés de ouvir a voz do verdadeiro Pastor.
  • Seu vocabulário é sobre "igreja" e "meu pastor" isto e aquilo, e não sobre o Senhor Jesus.
  • Suas vidas giram em torno da igreja, e não em torno de Jesus Cristo.
  • Acreditam que é rebelião questionar os ensinamentos e práticas dos pastores e igrejas.
  • Pensam que a "Palavra" de Deus é a "Bíblia", quando a Palavra é realmente Jesus Cristo (João 1: 1-3).
  • Nunca pesquisam questões para si mesmos, mas deixam toda a pesquisa e pensamento para os pastores.


Os dois meios pelos quais todos os seres humanos são controlados, governados, regulados até a morte e feitos para viver com medo, é através de governos seculares e religiões, incluindo a igreja. O Igrejismo é uma religião artificial, e não tem nada a ver com o seguimento de Jesus Cristo. A pastorização tem mais a ver com emburrecimento ao ponto de não ser capaz de pensar, raciocinar ou discernir para si mesmo, mas em que os senhores do mundo da igreja governar sobre o pastoreado.
Texto de Ivor Thomas traduzido por Paulo Anselmo

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Como não crer na ressurreição?! Mataram os anabaptistas e nós estamos aqui!

Acerca da Ressurreição na minha Fé libertária:

Creio nela, na ressurreição acima de tudo. É o que distingue Jesus de todos os supostos iluminados khrishnas, orichas, Calvinos, budas, maomets, pseudo-messias, e cª, que não trazem nada de novo e apenas confundem, desviando o foco da Verdade.

Há a verdade imperativa e plena do Amor. Jesus é a Verdade, que é Amor, que é Liberdade de Ser e deixar Ser o Outro e unir todos seres na mesma liberdade de Ser por excelência no Amor.

A Cristo Jesus mataram, mas o Amor ressuscitou, seus discípulos proclamaram seu Livre Amor, foram mortos, mas o Amor continuou, por gerações, no pequeno Rebanho, por aí adiante...

Até que vieram os anabaptistas, viveram e pregaram o Livre e Vero amor, mataram-nos os católicos e os evangélicos, mas não morreram: Aqui estamos nós! Sim aqui estamos, aqui está Cristo sendo formado e nenhum iluminadozinho. Aqui está a Verdade do Amor, onde não há autoridades, mas há apenas um Amor que é Senhor. É Senhor apenas porque é Servo em amor, sublimando e libertando a todos quantos serve.

Sim, Ele anda aqui, e os que o encontram tornam-se livres, vivem o amor, deixam de existir e passam a ser.



não crer na ressurreição?! Mataram os anabaptistas e nós estamos aqui!! O amor Livre jamais morrerá, é a Verdade, é Cristo!!! - J.P. Maia a 9/01/2017, celebrando a ressurreição de Cristo, dos apóstolos, dos anabaptistas e de todo o louco que crê que a Verdade existe, É Amor e não morre, mas apenas passa por invernos sepultada, para ressurgir em novas Primaveras!!!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cultivar o Coração Activista de Jesus


Lamento imenso informá-los, trolls da Internet - mas Jesus era um guerreiro da justiça social.
E em algumas situações Ele também poderia ser muito ofensivo.
A maioria dos cristãos, pinta em suas mentes uma imagem altamente selectiva de Cristo, que geralmente faz dele uma presença plácida, estóica e passiva; Pouco mais do que um espectador silencioso e sorridente, que era acima de tudo perpétuamente simpático. Nós gostamos deste Jesus manso, bem-educado, benigno. Preferimos especialmente esta versão dEle, quando não gostamos do que estamos a ouvir de outros cristãos. No momento em que alguém, ao afirmar a fé se torna um pouco mais ruidoso, indisciplinado ou desconfortável, nós sugerimos-lhe que eles estão, de alguma forma, traindo Seu nome. Nós tentamos fazê-los comportarem-se bem, envergonhando-os.

"Eu não acredito que te intitulas cristão e ..."
A implicação é que, se estás irritado, sendo ofensivo ou abrasivo, então não está refletindo Jesus de forma clara.

Tretas.

Jesus não era um pacifista, ele era um pacificador, 


e estas são coisas muito diferentes.
Um implica a inacção, o outro compromisso.
No centro da vida e ministério de Jesus estava a ideia de fazer a paz, de criar "Shalom" para outro ser humano; Permitindo-lhes ter o mesmo acesso à plenitude, ao sustento, à justiça e à alegria como qualquer outra pessoa. No seu coração não habitava apenas um entendimento interno sobre o valor intrínseco de todas as pessoas, mas a resposta tangível no mundo em que afirmou esse entendimento, sempre que esse valor era desconsiderado.
Jesus era um activista numa miríade de maneiras:
  • Quando ele virou as mesas e expulsou os agiotas do templo.
  • Quando afirmou que Deus era soberano e merecedor de adoração, numa cultura que declarava isso sobre César.
  • Quando ele tocou a mão de um leproso em vez de expulsá-lo por causa da sua impureza.
  • Quando ele declarou publicamente que a poderosa elite religiosa era uma "ninho de víboras".
  • Quando ele curou num sábado, quando o trabalho era proibido.
  • Quando falou com uma mulher samaritana em público, no meio dia para discutir a fé com ela.
  • Quando ele declarou que o pobre e o oprimido eram seu próprio propósito de ser.

E foi este coração corajoso, sem remorsos e ativista de Jesus que lhe causou as maiores dificuldades e, em última instância, a sua execução, porque perturbou as águas dos poderosos e os religiosos que não estavam acostumados a tal turbulência.
Este é sempre o trabalho do cristão: ser uma voz perturbadora pelos que estão sem voz, mesmo que às vezes significa gritar sobre aqueles habituados a serem ouvidos, desencadeando a sua ira.
Citando o jornalista Finley Peter Dunne, 

"o dever do seguidor de Jesus é
confortar os aflitos e
afligir o confortável"
.

Este é o coração belo e complexo do Evangelho; A tensão específica de ser um extremista, mas um extremista para o Amor.

A maioria das pessoas pensa que Jesus era um pastor, mas isso é apenas uma meia-verdade. Sim, para as ovelhas ele era pastor. Para os vulneráveis, marginalizados e invisíveis, ele era o protector e o que cuidava e curava as feridas. Para eles era segurança e suavidade; Cuidador gentil e o que assegurava a tranquilidade .

Mas não para os lobos. Para os lobos, ele era outra coisa. Para estes, ele era a santa fúria de um Deus indignado, que se recusava a tolerar os maus tratos aos que foram feitos à imagem de Deus. Para os lobos ele era tão feroz, ardente e ofensivo conforme fosse preciso. 

Para os lobos, Jesus era um terror.

Em Mateus capítulo 23, Jesus repetidamente lamenta os líderes religiosos por causa da sua hipocrisia e pelo abuso sobre os que estava sob os seus cuidados e sua influência. Suas palavras eram brutais, ousadas e directas, e pode-se imaginar o senso de auto-justiça dos fariseus a ser atacado, ofendido até. 
Mas isso não era razão suficiente para ele ficar em silêncio. Seus sentimentos feridos não eram a sua prioridade. A defesa daqueles que estavam sendo vítimas era.

As palavras mordazes de Jesus eram verdadeiras, justas e redentoras, e ele não sacrificou nenhuma parte da sua natureza ao entregá-las sem suavidade ou desculpas. Não alterou uma partícula subatômica da sua bondade ao dizer essas palavras e ao ser tão enfático. Seu ativismo implacável foi o transbordar do seu coração compassivo para aqueles que estavam sofrendo, e tem que ser nosso também, se quisermos fazer qualquer reivindicação legítima em seu nome.

Não basta simplesmente ter um peso, é preciso ter um peso que nos leve a responder, mesmo correndo o risco de ser ofensivo para aqueles a quem a resposta nos coloca em oposição direta. Apesar do que alguns cristãos afirmam, a indignação e a benevolência podem habitar o mesmo espaço. Não temos de escolher uma em detrimento da outra. Na verdade, é quando se lhes permite que existam simultaneamente, que a transformação acontece dentro de nós e ao nosso redor. Esses são os dois motores da justiça redentora. Quando estivermos reproduzindo fielmente o coração plenamente expansivo de Jesus, seremos simultaneamente "ministro e ativista", "servo e guerreiro", "protectores de ovelhas e caçadores de lobos". Nós distribuiremos a gentileza e a audácia igualitariamente.

Quando a injustiça ocorre, um grupo está sendo prejudicado enquanto o outro está prejudicando, e o cristão precisa responder a ambas as partes com igual vigor. Fazer somente um, é perpetuar um Cristo tendencioso, que não O honra a Ele, ou à obra que todos nós somos chamados a fazer, a saber a criação de "Shalom" para todos os povos, não apenas para alguns.

Os cristãos nunca devem sacrificar paixão e convicção, no altar do decoro e sentimentos feridos.

Não é uma traição a Jesus viver como um activista, é de fato um abraço de seu próprio coração.
Há muito sobre o que estar indignado nestes dias, por isso deixe-se indignar e permita que a indignação seja uma catalisador.
Sim, cultive a compaixão e respeito por todas as pessoas.
Vá cuidar das ovelhas o mais suavemente possível e com tanta bondade quanto lhe for possível.
Mas quando for preciso, enfrente corajosamente um mundo ofensivo... e arrisque-se a ofendê-lo.

Diante do ódio extremo, seja um extremista de amor que não possa ser silenciado.

Em nome de Jesus, vá em frente e aborreça os lobos onde quer que apareçam; Na sua casa, na sua escola, nas ruas, na igreja, na câmara municipal, parlamento ou na presidência.
John Pavlovitz

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Cristão???







Eu sou um cristão.

Na verdade, recentemente, seria mais correcto afirmar que

 "eu ainda sou um cristão".

Agora, eu digo isso com muito tremor. Digo-o com grande fadiga. E até mesmo um pouco a contragosto. Digo-o com mais do que uma boa dose de vergonha, não de Jesus, mas de muitos do seu povo e de tantos da Igreja que afirmam falar por ele.

Olhando em volta, muito do que representa a minha tradição de fé, particularmente nesta época de eleições, tornou-se numa batalha diária fazer esta declaração, que antes era dita sem esforço, sabendo que agora esta me alinha automaticamente com aqueles que compartilham tão pouco em comum com o Jesus que eu conheci, quando aleguei pela primeira vez ter o nome de cristão.

Ele agora alinha-me com os provocadores de casas-de-banho(1), púlpitos politizados, defensores do privilégio-branco, do racismo e da intolerância, para com tantos grupos de pessoas que representam o "mundo" que eu cresci acreditando que Deus amou.

Há coisas que costumavam ser um dado adquirido de um seguidor de Jesus, não são mais.

Para demasiadas pessoas, ser um cristão não significa que você precisa de ser humilde ou perdoar. Já não significa que você precisa de um coração para servir ou trazer cura. Já não exige compaixão, misericórdia ou benevolência. Já não exige que você vire a outra face ou ame seus inimigos, tome o lugar mais baixo ou ame o próximo como a si mesmo.

Já não requer Jesus.

E assim, as opções são: abandonar a ideia de reivindicar Cristo por completo, para evitar ser considerado "odioso por associação" aos olhos de grande parte do mundo que assiste a isto; ou recuperar o nome cristão para que ele represente uma vez mais, o amor de Jesus no mundo .

Eu estou tentando fazer o último.

Sim, eu sou um cristão, mas há um tipo de cristão que eu me recuso a ser.

Eu recuso-me a ser um cristão que vive com medo de pessoas que parecem, falam, ou fazem um  culto de forma diferente do que eu.

Eu recuso-me a ser um cristão que acredita que Deus abençoa a América (ou o um país em particular), mais do que Deus ama o mundo.

Eu recuso-me a ser um cristão que usa a Bíblia para perpetuar intolerância, racismo ou sexismo, individual ou sistémico.

Eu recuso-me a ser um cristão que valoriza lealdade a uma bandeira, ou a um país, ou a um partido político, acima de imitar Jesus.

Eu recuso-me a ser um cristão relutante em denunciar as palavras de pregadores do ódio, políticos venenosos e aquecedores de cadeiras maldosos, em nome de manter a unidade dos cristãos.

Eu recuso-me a ser um cristão que tolera uma Igreja global, onde nem todas as pessoas são bem-vindas de braços abertos, totalmente celebradas e igualmente cuidadas.

Eu recuso-me a ser um cristão que fala sempre com retórica de "guerra santa" sobre uma horda inimiga invasora que deve ser enfrentada e derrotada.

Eu recuso-me a ser um cristão que é generoso com a condenação e mesquinho com graça.

Eu recuso-me a ser um cristão que não consegue ver a imagem de Deus em pessoas de todas as cores, tradição religiosa, ou orientação sexual.

Eu recuso-me a ser um cristão que exige que outros acreditem no que eu acredito, ou a viver como eu vivo, ou a professar o que professo.

Eu recuso-me a ser um cristão que vê o mundo numa espiral descendente e sem esperança, e só pode condená-lo ou retirar-se dele.

Eu recuso-me a ser um cristão desprovido do carácter de Jesus; sua humildade, compaixão, sua gentileza com as feridas das pessoas, sua atenção aos pobres, esquecidos e marginalizados, a sua intolerância para com a hipocrisia religiosa e da sua expressão clara, do amor de Deus.

Eu recuso-me a ser um cristão a menos que isso signifique viver como uma pessoa da hospitalidade, da cura, da redenção, da justiça, da expectativa que desafia a graça, do amor intuitivo. Estes valores não são negociáveis.

Sim, é muito mais difícil dizê-lo nos dias de hoje, do que jamais foi... mas eu ainda o digo.

Eu ainda sou um cristão, mas eu recuso-me, a ser um sem Jesus.



JOHN PAVLOVITZ

traduzido e adaptado por Paulo Anselmo

(1- Em alguns estados nos EUA, alguns cristãos impuseram uma lei, que cada pessoa apenas deve usar o WC publico, segundo o géneros sexual com que nasceu)


sábado, 5 de março de 2016

Evangelho e politica

 

O Evangelho não é partidário, mas é político, é para todos.
Não é de esquerda, nem de direita. Existe antes desses termos!
Preserva todas vidas, até dos mais frágeis, em detrimento da falsa liberdade duns para matar outros: fetos, crianças, velhos, animais.
 
O Evangelho respeita todos, indigna-se com todo mal, tem padrões do que é saudável e do que é deformado, mas aceita tudo e todos, não tolera elites nem explorações, defende tudo para todos, vê a mulher afligida no ocidente, mas também no oriente; crendo que a mulher é oprimida pela indumentária puritana cristã assembleiana, por exemplo, mas ainda mais pela burka e véu islâmicos e semelhantes, ainda que a escrava o negue.
 
O Evangelho abomina todas potestades desumanizantes, não formata nem estereotipa, antes, sublima as individualidades na sinergia comunitária. Não tem guerras justas nem injustas, apenas a PAZ que só pode emanar de justiça social.

O Evangelho não tem o absoluto de que tudo é relativo, mas todas as relatividades, de todas as subjectividades dos indivíduos que não oprimam, cabem no exclusivo Absoluto do Amor... 
José Maia
(adaptado por Paulo Anselmo)

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

40 Respostas


Recentemente vi uma lista de perguntas para cristãos que usaram a bandeira arco-íris.
Decidi responder, porque há algumas que são tão manipuladoras e dementes, que merecem ser expostas.


1 Desde quando você acredita que o casamento gay é algo para ser celebrado?
Não acredito nisso, mas acredito que quando as desigualdades se desvanecem, é tempo de alegria. Quando duas pessoa se amam,e constroem uma vida comum, essa comunidade deve ser reconhecida legalmente pelo facto que é. Uma união que deve ter os seus direitos respeitados pelo estado. Apenas isso.

2 Quais versículos da Bíblia te levaram a mudar de ideia?
Todos aqueles quem em que Jesus se comporta de forma diferente dos religiosos da sua época, e em especial a expressão "pelo que", de romanos 1.

3 Como você argumentaria, a partir da Escritura, que a atividade sexual entre duas pessoas do mesmo sexo é uma bênção a ser celebrada?
Eu nunca disse isso, por isso não sei a que se referem. Mas perguntas manipuladoras nem sequer mereciam ser respondidas, porque ao colocarem a pergunta dessa forma implica que quem responde ou concorde, celebre... ora eu celebro a igualdade e a queda do preconceito, não disse que era uma bênção, mas a desigualdade, é garantidamente uma maldição.

4 Quais versos você usaria para mostrar que o casamento entre pessoas do mesmo sexo pode representar adequadamente Cristo e a igreja?
Nenhum, mas se é esse o padrão, então excluam-se TODAS as pessoas divorciadas, porque nenhuma está nos padrões de Deus. E já agora todos os deficientes, canhotos etc. Esqueçam-se que Jesus recebeu oferta de uma prostituta e não tratou com desprezo a mulher samaritana.

5 Você acredita que Jesus não teria problemas com comportamento homossexual consensual entre adultos em um relacionamento comprometido?
Acredito. Jesus só teve problemas com religiosos, nunca com os pecadores. No dia em que homossexuais forem não as vitimas, mas os opressores, então, aí sim, serão parte do problema. No entanto o problema está subjacente ao poder, e seu abuso e não à sua sexualidade.


6 Se sim, por que Ele reafirmou a definição de Gênesis de que o casamento é entre um homem e uma mulher?
Vocês ainda vivem no Éden? A vossa vida não tem cardos e abrolhos? Deus estabeleceu o padrão, mas todos estamos fora dele. Todos padecemos da queda. Quão arrogante pode uma pessoa ser, ao achar que está conforme o propósito de Deus, simplesmente por estar casada heterossexualmente. O ano do jubileu, não é também padrão de Deus? Quantas igrejas se levantam na defesa do oprimido e pelo anuncio do jubileu destes?

7 Quando Jesus falou contra a porneia, quais pecados você acha que ele estava proibindo?Todos, inclusive os de carácter heterossexual. E morreu por todos.

8 Se algum comportamento homossexual é aceitável, como você entende a “mudança” pecaminosa que Paulo destaca em Romanos 1?"Pelo que", o relato de Paulo em Romanos 1, tem duas partes, uma antes do "Pelo que" e outra depois. A anterior explica como se chega ao estado de devassidão afirmado depois do "pelo que". Todos os casos de homossexualidade, não abrangidos antes dessa expressão não podem ser encaixados no texto seguinte. Querem ser literais na bíblia, e são incapazes de perceber uma expressão que implica que B seja resultado de A.

9 Você acredita que passagens como 1 Coríntios 6.9 e Apocalipse 21.8 ensinam que a imoralidade sexual pode te afastar do céu?Não, segundo essas passagens e os seus contextos, TODAS as imoralidades, inclusive as de carácter sexual, nos podem afastar de Deus, por exemplo... a soberba, glutonaria etc etc.

10 A quais pecados sexuais você pensa que essas passagens se referem?Como está escrito, prostituição e idolatria. Que sempre estiveram ligadas uma à outra e não podem ser dissociadas na Bíblia. Hoje não temos idolatria sexual, mas temos muito outro tipo, tão grave como essa, a começar pela idolatria de pastores, denominações etc.

11 Quando você pensa na longa história da igreja e sua reprovação quase universal da atividade homossexual, qual parte da Bíblia você entendeu e Agostinho, Calvino e Lutero não entenderam?
LOLOLOLOLOLOLOL, de todos os argumentos este é de longe o meu favorito. A começar pelo facto de mostrar a vossa ignorância acerca da questão. Mas já agora, se eles são padrão para nós , então devemos todos ser anti-semitas como Lutero, que afirmava que um bom judeu, era um judeu morto, já que eram filhos do diabo, ou então como Calvino, que na primeira oportunidade de teve, matou quem pensava diferente dele, usando o seu poder religioso. Bons exemplos para seguirmos sim senhor. Para não falar nas chacinas que ambos fomentaram contra anabaptistas e no seu casamento com o estado, que em nada é diferente do casamento da igreja católica com o lado opressor. Já agora os calvinistas também acreditam que Maria permaneceu virgem para sempre e que é mãe de Deus, como Agostinho defendia?

12 Quais argumentos você usaria para explicar para os cristãos da África, Ásia e América do Sul que o entendimento deles sobre a homossexualidade é biblicamente incorreto e o seu novo entendimento não é condicionado pela cultura?
Pergunta tipicamente americana de quem se acha o umbigo do mundo e em que todos os que não pensam da mesma maneira que eles estão errados. Pergunta parva. O único argumento a dar a quem quer se chamar cristão é que deve amar. O resto é teologia.

13 Você acredita que Hillary Clinton e Barack Obama, entre outros políticos, foram motivados por arrogância e preconceito quando, por quase todas as suas vidas, até pouco tempo atrás, definiram o casamento como o relacionamento pactual entre um homem e uma mulher?
Sei lá eu o que os democratas pensam. Sei o que todos os políticos pensam. Que sopram para o lado que lhes dá mais votos. O resto é conversa. O mesmo se passa com o republicanos. O que é menos pior, a abertura dos democratas ou o racismo e xenofobia dos republicanos?

14 Você pensa que crianças se sairão melhor com uma mãe e um pai?
Sim, se forem pais e mães em condições. Se forem abusivo mais, vale estar com um casal homo-afectivo, que os amem pelo que são e os façam crescer com auto-estima e amor próprio e pelo próximo.

15 Se não, qual pesquisa você apresentaria para apoiar essa conclusão?

Factos. Estudos realizados por psiquiatras nos últimos 50 anos, provam que não há diferença na educação providenciada por casais, ou pares homo-afectivos.

16 Se sim, a igreja ou o estado tem algum papel em promover ou privilegiar as condições para que as crianças tenham uma mãe e um pai?
Sim, mas em primeiro lugar o estado tem a obrigação de defender os superiores interesses da criança que é ser amada, respeitada e cuidada. Tal não se garante com a exclusiva opção por casais, mas pelo acompanhamento permanente das crianças adoptadas pelo estado, apoiando e garantindo que as crianças efectivamente estão a ter os seus direitos respeitados.

17 O propósito e o fim do casamento apontam para algo maior do que a realização emocional e sexual de um adulto?
NO contexto cristão sim. Acontece que não temos o direito de impor a nossa fé a ninguém.

18 Como você define casamento?
A união entre homem e mulher. Quando ambos se tornam uma só carne. Não quando o padre ou o estado afirmam que estão casados.

19 Você acredita que parentes próximos deveriam poder se casar?
Não, por questões de saúde. Apesar de tal prática ter sido realizada por milhares de anos, em milhares de civilizações por esses séculos fora. Apenas salvaguardado nas zonas em que o factor melquisedeque chegou antes da civilização cristã.

20 O casamento deveria ser limitado a apenas duas pessoas?
Sim, por causa do que isso significa em termos espirituais e em termos de saúde. Dito isto, casos de poli-relacionamentos, devem ser respeitados. No caso particular dos EUA, as seitas quem impõem casamentos a menores de idade devem ser controlados de perto.

21 Com base em quê, se há alguma, você impediria adultos em consentimento, com qualquer grau de parentesco ou em qualquer número, de se casarem?
Em nada, se as pessoas se querem casar (ter relações), não as podemos impedir (adultos em consentimento). Se querem viver em conjunto também não as podemos impedir (adultos em consentimento). Mas podemos amar, e explicar-lhes os problemas inerentes de tal acção. Podemos discordar deles, mas podemos ama-los da mesma forma.

22 Deveria haver um requisito mínimo de idade para se obter uma licença de casamento?
Acho que a chamada Idade da razão e da maioridade estão bem como estão, em Portugal.

23 Igualdade implica que qualquer um que deseje se casar possa ter qualquer tipo de relacionamento definido como casamento?
Não, igualdade não tem a haver com o conceito religioso de casamento. Igualdade tem a haver com o facto de pessoas que vivem em conjunto terem os mesmo direitos que pessoas casadas segundo o conceito religioso. Pessoa que efectivamente vivem em economia familiar, tenham os mesmo direitos independentemente da sua orientação sexual.

24 Se não, por que não?
Já explicado na anterior.

25 Irmãos e irmãs em Cristo que discordam da prática homossexual deveriam poder exercitar suas crenças religiosas sem medo ou punição, retribuição ou coerção?
Sim, claro. Mas o problema é que quando temos empresas abertas, devemos ter o a noção que temos de atender todos os tipos de pessoas. Negar um bolo a um homossexual, por não concordarmos com o estilo de vida dele/a é fazer acepção de pessoas.

26 Você vai defender seu amigo cristão quando seu empregos, seu crédito, sua reputação e sua liberdade forem ameaçados por conta dessa questão?
Ridículo. Novamente, a pancada da perseguição evangélica norte americana. Chega a ser anedótico. Ui, tenham medo, muito medo, se os gays poderem casar, os cristãos deixarão de ter crédito e podem perder emprego. Ridículo. Se se tivessem preocupado em amar, hoje não teriam essa preocupação.

27 Você vai se posicionar contra o bullying e a opressão de todos os tipos, quer seja contra gays e lésbicas ou contra evangélicos e católicos?
Opressão é opressão, seja realizada por cristãos ou por não cristãos. E o que tenho testemunhado são os «cristão» a serem os opressores.

28 Como a igreja evangélica tem falhado frequentemente em levar a sério os divórcios não bíblicos e outros pecados, quais passos você vai tomar para se certificar que os casamentos gays sejam saudáveis e de acordo com os princípios da Escritura?
Mas desde quando é que eu tenho que legislar sobre o relacionamento de duas pessoas. Isto não passa de uma atitude fascizoide, imperialista e em nada relativa ao Reino de Deus. Coisa própria de religião medieval que se aposta em controlar.

29 Casais gays em relacionamentos abertos devem ser sujeitos à disciplina eclesiástica?
Novamente, o conceito fascizoide, de controlo. O  problema é mais uma vez como controlar os membros das congregações, se o coração estivesse em servir pelo amor, isso não seria preocupação, se o coração estivesse em amar e não em ter mega congregações, isso não seria sequer questão.

30 É pecado pessoas LGBT se envolverem em atividades sexuais fora do casamento?
Sim, ser gay não é sinónimo de promiscuidade. Ser promiscuo gay é tão grave quanto ser promiscuo heterossexual.

31 O que as igrejas abertas e inclusivas farão para falar profeticamente contra divórcio, fornicação, pornografia e adultério, quando estes forem descobertos?
Se calhar, a maioria... nada. Mas esse mal não é exclusivo das igrejas abertas, mas de todas. Todas as igrejas, que não vivem na base do amor, padecem desse mal. A pergunta, como de costume, abunda em preconceito e religiosidade. Aponta o dedo para os outros, como se as igrejas deles fossem perfeitas. Tristeza. A nossa mensagem no entanto é a de reconciliação, não a de condenação, mas não espero que os irmãos calvinistas percebam isso.

32 Se “o amor vence”, como você define amor?
Amor é dar-se pelo outro. Morrer pelo próximo.

33 Quais versos você usa para estabelecer essa definição?
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que DEU(-se)...

34 Como a obediência aos mandamentos de Deus molda nosso entendimento de amor?
Amar ao próximo, mas não o respeitar não é amar. Simples.
Amar o próximo é aceita-lo como ele é esperar que ele mude, pelo poder do ES, não pelos meus belos discursos e regras.
Amar mas não o tratar de forma igualitária não é amar.
Amar e criar regras segregacionistas não é amar.

35 Você acredita que é possível amar alguém e discordar de decisões importantes que ela tome?
Completamente. Deus não concordou com o facto de Adão e Eva irem comer a maçã e ainda assim amou-os.

36 Se apoiar o casamento gay é uma mudança para você, mais alguma outra coisa mudou no seu entendimento da fé?
A minha fé não é estática. Quando crescia nos bancos da escola dominical, as mulheres nem a depilação podiam fazer, os pastores não podiam ter segurança social, as cabeleireiras não podiam tomar a ceia, musica rock era do diabo, TV era caixa do inferno e a antena eram os cornos do diabo, não se podia ir à praia para não mostrar o templo do ES etc etc etc. A minha fé vai crescendo, e abdicar de dogmas impostos por religiosos e abraçar a verdade da Graça tem sido maravilhoso.

37 Enquanto evangélico, como o seu apoio ao casamento gay te ajudou a se tornar mais apaixonado pelos distintivos evangélicos tradicionais, como foco no novo nascimento, o sacrifício substitutivo de Cristo na cruz, a confiabilidade total da Bíblia e a necessidade urgente de evangelizar os perdidos?
Nada. Não mudou em nada. Continuo a achar que a palavra é correcta, que Cristo crucificado, antes da fundação do mundo, perdoa todos aqueles que se aproximam dEle etc etc. O que mudou foi precisamente ler a minha bíblia sem os preconceitos religiosos, sendo Jesus a chave para se entender toda a bíblia.

38 Quais igrejas abertas e inclusivas você apontaria como lugares onde pessoas estão sendo convertidas ao Cristianismo ortodoxo, pecadores estão sendo alertados do julgamento e chamados ao arrependimento e missionários estão sendo enviados para plantar igrejas entre os povos não alcançados?
Não sei, mas conheço muitas fechadas que não fazem isso. Ser uma igreja «aberta» não é prova da falta dessas coisas, como ser uma «igreja fechada» é prova da aprovação e rectidão do seu comportamento. Já agora, pena que tantas queiram converter as pessoas ao cristianismo e não a Cristo e ao Seu Evangelho.

39 Você espera estar mais comprometido com a igreja, com Cristo e com as Escritura nos próximos anos?
Sim, mas não com as igrejas institucionalizadas, mas isso já nada tinha a ver com a questão em causa.

40 Quando Paulo exorta “os que tais coisas praticam” e aqueles que “aprovam os que assim procedem”, quais pecados você pensa que ele tinha em mente? »
Todos o que lá estavam escritos, e não apenas os de natureza sexual. Acontece que a minha fé não assenta em coisas que eu faço ou deixo de fazer, mas no sacrifício de Cristo. Mas é curioso mais uma tentativa de colocar medo no coração daqueles que amam e defendem o seu próximo. Isso é coisa de religião. Mas não me espanta que seja isso que têm para oferecer.

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Sei que a minha resposta provavelmente não chegará nunca aos piperianos americanos, mas estou bem com a minha consciência.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Novas Orações



Original:
Obrigado Senhor porque não me fizeste gentio, nem cachorro, nem mulher....

Hoje...

Obrigado Senhor porque não me fizeste muçulmano, católico apostólico romano ou ubandeiro...

Obrigado Senhor porque não me fizeste neo-penteca, pentecostal ou carismático...

Obrigado Senhor porque não me fizeste baptista, presbeteriano ou assembleiano...

Obrigado Senhor porque não me fizeste brasileiro, ou africano ou árabe...

Obrigado Senhor porque não me fizeste argentino, português ou cubano...

Obrigado Senhor porque não me fizeste indiano, paquistanês ou chinês...

Obrigado Senhor porque não me fizeste pobre, sem abrigo ou drogado...

Obrigado Senhor porque não me fizeste nordestino, alentejano ou romeno...

Obrigado Senhor porque não me fizeste prostituta, feminista, ou aborteira...

Obrigado Senhor porque não me fizeste cigano, preto ou gay...

A soberba, orgulho e preconceito não desapareceu do coração do homem, ressurge sob muitas formas e matizes, umas religiosas, outras politicas e normalmente aliada ao medo. Mas lembremo-nos das palavras de Jesus, acerca dos originais, 
"porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado." Lucas 18:14



sexta-feira, 3 de abril de 2015

Jesus morreu por nós... não por Deus.


"Matastes o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos"- O Apostolo Pedro, Actos 3:15 

Gólgota é onde os grandes crimes da humanidade - o orgulho, rivalidade, culpa, violência, domínio, guerra, impérialismo - são arrastados para a luz ardente do julgamento divino . No Gólgota, vemos o sistema de organização humana que nós alegremente chamamos de "civilização" por aquilo que ele é: um eixo de poder imposto pela violência, tão corrupta, que  é capaz de assassinar Deus em nome do que chama de "verdade", "justiça" e "liberdade".

Gólgota é também o lugar onde o amor de Deus alcança sua maior expressão. Enquanto Jesus é linchado em nome da verdade religiosa e da justiça imperial ele expressa o coração de Deus ao implorar pelo perdão de seus algozes. Na cruz, descobrimos que o "Deus revelado em Cristo" preferia morrer em nome do amor do que matar em nome da liberdade. Nosso Salvador é Jesus Cristo, e não William Wallace (Portugueses leiam "Padeirinha de Aljubarrota", Brasileiros leiam "Tira-dentes".)

A cruz é simultaneamente hedionda e gloriosa, ao mesmo tempo feia e bonita. É tão hedionda como o pecado humano e tão gloriosa quanto o amor divino. É uma colisão do pecado e da graça. Mas não é um concurso de iguais. No final, o amor e beleza vencem; Nós chamamos a isso "Páscoa".

O que a cruz não é, é um quid pro quo, onde Deus concorda em perdoar após receber a notificação do assassinato de seu Filho. O que a cruz não é, é uma transação econômica pela qual Deus ganha o capital para perdoar. Estes modelos jurídicos e fiscais, simplesmente não funcionam para a compreensão da cruz.

Jesus não nos salva de Deus, Jesus revela Deus como Salvador. O que é revelado na sexta-feira santa, não é uma divindade monstruosa exigindo uma virgem para ser lançada num vulcão ou um filho primogênito para ser pregado numa árvore. O que é revelado na sexta-feira santa, é a profundidade da depravação humana e a maior profundidades do amor de Deus.

Antes da cruz se é alguma coisa, é uma catástrofe. É o linchamento injusto e violento de um homem inocente. É o assassinato de Deus. Jesus é sacrificado pelo Pai só neste sentido: O Pai enviou o seu Filho ao nosso sistema de poder violento (civilização) para revelar o quão pecaminoso o sistema é - tão pecador, que ele irá matar o Inocente. Deus não queria o assassinato de seu filho, ele simplesmente sabia que isso iria ocorrer. Mas mesmo Platão sabia disso. Ao imaginar o que aconteceria com um homem perfeitamente justo em nosso mundo injusto, Platão disse: "nosso homem justo será açoitado, torturado , acorrentado ... e , finalmente , depois de todos os tipos de sofrimento, vai ser crucificado. " ( A República, Livro II , p. 37) Platão escreveu que três séculos antes de Cristo. Deus sabia o que Platão sabia. Que para Jesus anunciar e inaugurar o Reino de Deus, no meio do nosso mundo injusto e violento, exigiria um sacrifício supremo.

A morte de Jesus foi um sacrifício. Mas foi um sacrifício para acabar com todos os sacrificios, não um sacrifício para apaziguar um deus irado. Não foi Deus que exigia o sacrifício de Jesus, foi a civilização humana. Um sistema construído sobre o poder violento não pode tolerar a presença de alguém que nada lhe deve. O sacrifício de Jesus foi necessário para nos convencer a parar de produzir vítimas sacrificiais; mas que não era necessário para convencer a Deus a perdoar. Quando Jesus pede perdão na cruz, ele não estava agindo de forma contrária à natureza de Deus, ele estava revelando a natureza de Deus como Amor Perdoador.

Pense nisto desta maneira: Onde é que podemos encontrar Deus, na sexta-feira santa? Deus é encontrado em Caifás procurando um bode expiatório sacrificial? Deus é encontrado em Pilatos exigindo uma execução punitiva? Ou Deus é encontrado em Jesus , absorvendo pecado e responder com o perdão ?

O apóstolo Paulo diz que Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo a si próprio. (2 Coríntios 5:19) e isso não deve ser mal interpretado como Deus reconciliando-se ao mundo... como algumas teorias equivocadas, sobre a expiação, querem fazer crer! Jesus morreu por nós ... não para Deus.

A crucificação não é o que Deus inflige a Jesus, a fim de perdoar, a crucificação é o que Deus em Cristo suporta enquanto perdoa. A cruz é o lugar onde Deus absorve o pecado e recicla-o em perdão.

A crucificação não é a última tentativa de mudar a mente de Deus sobre nós - a Cruz é a última tentativa de mudar a nossa mente a respeito de Deus. Deus não é como Caifás buscando um sacrifício. Deus não é como Pilatos exigindo uma execução. Deus é como Jesus, absorvendo o pecado e perdoando os pecadores.

A cruz não é sobre o pagamento, a cruz é sobre o perdão .

Sexta-feira Santa não é sobre a ira divina, Sexta-feira Santa é sobre o amor divino.

Calvário não é onde vemos o quão justo Deus é, o Calvário é onde vemos quão injusta a civilização é!

Enquanto nós pensarmos que Jesus morreu para Deus, em vez de morrer por nós, nunca veremos a pecaminosidade da civilização humana e a beleza da alternativa divina: o Reino de Deus.

A justiça de Deus não é uma justiça retributiva. No fim, a justiça retributiva não muda nada. A justiça de Deus é inteiramente restaurativa. A única coisa que Deus chama de justiça é corrigir o mundo, não punir os inocentes. (Nosso senso de justiça retributiva, derivada do facto de que estamos mais punidos em  nossos pecados do que pelos nossos pecados).

A questão de fundo é esta: Deus não matou Jesus, foi a civilização humana que o fez. Nós o fizemos. Jesus absorveu o golpe no amor e nos perdoou. Na Páscoa, o Pai foi vindicado no Seu Filho. Agora Jesus nos chama a segui-Lo para o Reino da Graça, Reino de Amor... o Reino de Deus .

Sigamos o cordeiro.
Brian Zahnd

Original: http://brianzahnd.com/2015/04/jesus-died-us-god/(Arte "Golgotha" por Edvard Munch, 1900.)
Traduzido por: Paulo Anselmo