sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os desigrejados e os abolidos de Deus


Os abolidos de Deus:

Se eu fosse imbuído do mesmo espírito daqueles que chamam de desigrejados ás pessoas que crêem em Cristo, mas não crêem em Igreja institucionalizada e hierárquica; sim, se eu fosse de tecer pensamentos com a mesma pobreza, chamaria a tais institucionalizados de: os abolidos de Deus... 

Porque é que eu, crente do Evangelho e portanto não crente de igrejas institucionalizadas, sendo chamado por eles de desigrejado, porque não lhes chamo eu de abolidos de Deus?! Não os chamo assim porquê?!

Ora não os chamo de abolidos de Deus porque nem estar institucionalizado e nem estar desinstitucionalizado salva!
Nem a circuncisão e nem a incircuncisão salvam ou perdem alguem!

O que salva é o Evangelho da graça de Deus e a graça de Deus encontra-se em pessoas institucionalizadas e desinstitucionalizadas! E para tal convicção eu bebo da água de Cristo em sua Palavra nas Escrituras Inspiradas no livro de Apocalipse, onde Jesus fala ás Igrejas e portanto á Igreja!

Sim, não sou míope nem estrábico, pois alem de ver como Jesus fala aos líderes de judaísmo de seu tempo e de perceber que isso é paradigma de como falar a todos os legalistas fariseus e neo-saduceus de hoje; alem disso vejo sobretudo a forma como Jesus fala á sua Igreja. Sim, o Cordeiro fala com suas igrejas, das mais variadas, para o bem e para o mal, em Apocalipse nos capítulos 2-3.

Ora se Jesus vê e nomeia pessoas salvas em igrejas (comunidades de pessoas) institucionalizadas e idolátricas como Tiatira e Pérgamo, eu também assim creio, vejo e falo!

Jesus vê que nesse grupo de pessoas institucionalizadas, tem gente boa, com fé, amor e serviço! No entanto Jesus denuncia o facto de serem institucionalizadas e se sentarem no trono onde se senta satanás, que é o paradigma de poder politico-secular e instituído!

Ora essas dinâmicas institucionalizadas são dinâmicas de todas as religiões da Terra, casadas com secularismo e subservientes aos paradigmas do poder politico-económico!

Jesus aboliu isso! Jesus salvou um povo em que todos são sacerdotes, não havendo elite, sendo que apenas Ele é o sumo-sacerdote. E é suposto esse povo ser o sal do mundo, revolucionando a sociedade subversivamente, como um povo "underground"!

Jesus aboliu a limitada e apenas simbólica metáfora religiosa de que o templo e o sagrado são lugares específicos e de endereço exclusivo num prédio benzido por um óleo qualquer!

Isso é óbvio nas Escrituras e faz todo sentido se cogitarmos nisso sincera e arrependidamente!

No entanto, Jesus tem pessoas salvas no seio de comunidades altamente institucionalizadas como as de Tiatira e Pérgamo, que ainda por cima são idolátricas!

Portanto eu seria exagerado e amargurado se chamasse a todos os crentes pertencentes a instituições de: abolidos de Deus, assim como eles são exagerados ao chamarem de desigrejado a um crente do Evangelho, que comunga desinstitucionalizada, igualitária e livremente com outros que têm a mesma consciência do Evangelho puro!

São exagerados e são falazes as suas afirmações! 

No entanto eu não minto quando digo que o que eles crêem em geral, o protestantismo e o catolicismo, são religiões cristãs que vivem dos mesmos paradigmas do judaísmo e de todas as religiões da Terra e de tudo quanto Cristo aboliu! Sim, mesmo o judaísmo mais puro e verdadeiro, que foi Aliança com Deus, foi abolido porque era passageiro e apenas sombra da plenitude eterna da Nova Aliança: o Evangelho!

Então não serei exagerado se chamar aos institucionalizados de abolidos de Deus, não abolidos para a salvação, mas abolidos no sentido de viverem paradigmas e formas de espiritualidade abolida!

Falhos somos todos!

Mas devemos propor o perfeito Evangelho!

O perfeito Evangelho aboliu todas as religiões e todos os ismos!

Então alguns abolidos de Deus são salvos pela graça de Deus na qual crêem, ainda que não vivam na plenitude da liberdade do Evangelho!

Mas porque chamam eles de desigrejados às pessoas que crêem no Evangelho vivido tal como foi concebido por Cristo?

Vejamos a estrutura do pensamento falso do seu conceito de desigrejados:

Tentando sintetizar: o conceito é criado e difundido pela liderança institucionalizada, pois eles chamam de igreja à instituição religiosa que controlam em favor de seu egocentrismo… Em vez de com honestidade intelectual chamarem de desinstitucionalizado  ao individuo que deixa o sistema religioso deles, em vez disso, eles chamam o
individuo de desigrejado, pois para eles a igreja é o vaticano católico ou protestante, a instituição religiosa deles (fora do vaticano não há salvação) … 

Não entendem assim que a verdadeira igreja está em sua maioria nos desinstitucionalizados que crêem em Deus e jamais no homem e suas instituições; e que igreja são os que buscam a glória de Deus e não a vanglória dos neo-saduceus (que pretendem manipular e gerir em exclusivo monopólio o sagrado, como senhores do templo de deus)… 

Também as pessoas abandonam-os, desviam-se deles e deixam de crer neles porque a consciência do Evangelho fala mais alto a essas pessoas, afastando-se assim dos neo-fariseus cristãos ( gente que vive de maquilhagem espiritual e dependem de suas performances comportamentais em show litúrgico, na ilusão de se poderem auto-justificar e ganhar o direito de condenar o próximo, sem conhecerem a graça de deus - a própria essência de deus). 

As pessoas também se desviam deles porque são oprimidas pelo controle deles, assim como o são pelo poder politico-financeiro, pois eles são neo-herodianos (tentam alcançar o poder secular e politico para terem ainda mais poder sobre as pessoas chamando isso de reino de deus); sendo que as pessoas que se desviam do império e caciquismo deles, o fazem para mergulhar no marginal, subversivo e verdadeiro Reino de Deus... 

São completamente ignorantes e maus hermeneutas e exegetas da bíblia, usando como chave hermenêutica o aristotelismo e platonismo, ou se quiserem, o tomismo e racionalismo filosóficos, não entendendo a Palavra revelada nas Escrituras Inspiradas, tendo o desplante de se arrogarem do contrário; pois não entendem as Escrituras e
manipulam-nas, desprezando a evidente simplicidade, desinstitucionalização e o poder subversivo e marginal dos
evangelhos, assim como de todo o Novo Testamento… 

Manipulam a seu bel-prazer os escritos de Paulo, como se Paulo tivesse institucionalizado e sido dono de alguma igreja e como se estas não fossem sempre lideradas por uma pluralidade de indivíduos, que lideravam pelo exemplo, sem ordenados...

Paulo ajudava em Cristo a fundar comunidades de gente livre, igual, que se reunia sempre em casas, em domicílios e não em dispendiosos templos de pedra, em ambiente familiar, pequenos grupos de dezenas, em ambiente intimista e fácil para todos partilharem dom de Cristo; sendo que toda a gente disponibilizava de seus recursos, para exclusivamente serem investidos na vida de cada irmão em necessidade, sendo todos cuidados da mesma forma, sem acepção de pessoas... Veja as saudações de Paulo e como ele saúda as igrejas em casas...

E não venham com a estória de que era apenas uma contingência circunstancial, porque o que estava em causa era a consciência que eles tinham de 2 imperativos do Evangelho:

1 - Nós pessoas é que somos o templo, sendo que somos templo vivo do Deus vivo, somos o santuário de Deus, com Cristo como pedra principal de fundamento e todos nós restantes pedras vivas!

2 - Deus é amor, assim como seu Evangelho, pelo que se estamos nEle cuidamos uns dos outros e para tal é necessário recursos materiais, sendo que estes recursos que nos custam tanto a ganhar são investidos exclusivamente em pessoas, pois elas são o Templo, cuidando de todos da mesma forma, sem elites e sem acepção de pessoas, tendo como prioridade as necessidades mais básicas e prementes de todos.

A partir destas 2 certezas, os crentes reuniam em casas, não tinham despesa com templos de pedra e podiam assim disponibilizar seus recursos para cuidar do templo vivo do Deus vivo: as pessoas crentes em necessidade! Alem disso ao reunirem-se em casas, alem de guardarem o dinheiro para cuidar uns dos outros, acabavam por se encontrar em ambiente familiar, de pequenos grupos, o que permitia mais intimidade e sobretudo liberdade e tempo para que todos partilhassem de Deus. 

Eram centenas e centenas de crentes, mas reuniam-se em casas, com a consciência de que não é nem em Jerusalém e nem em Samaria, ou noutro qualquer lugar com fama de ser sagrado.

Mas os líderes de hoje, em sua maioria, são elite, topo hierárquico, são os rabis que se sentam na cadeira de Moisés, os pais, os guias, os ungidos, que capitaneiam o templo de pedra como neo-saduceus e o gerem para seu ego e promoção, sendo que para tal manipulam e usam-se preferencialmente dos escritos inspirados de Paulo.

Para eles os 4 evangelhos que fazem o Evangelho, servem apenas para afirmar a divindade e poder de Cristo, mas desprezam todo ensino de Cristo acerca de sermos nós o templo do Espírito, de como se reuniam, de como não havia elites líderes, de como não havia hierarquias, de como era para subverter a sociedade e jamais conformar-se a esta e a seus poderes instituídos e opressores cujos tronos são tronos de satanás...

Bastava-lhes levarem a sério só o sermão do Monte em Mateus, assim como o discurso em Mateus 23, em que Jesus implora aos seus discípulos que jamais criem uma comunidade hierárquica e presa a um endereço templário...

Vão aos evangelhos para dizer que Jesus é divino e todo-poderoso, mas não consultam os evangelhos para deles retirarem o Evangelho, que é a forma como Jesus vivia e essa proposta radical de vivência que Ele nos propõe, se quisermos ser seus discípulos...

Não sabem ou não querem saber de ler-entender o livro de actos...

É uma tremenda idolatria a consciência deles, arrogarem que desviar-se deles é desviar-se de
deus… 

São extremamente obsoletos, arcaicos e acima de tudo abolidos, sim vivem no que Jesus aboliu, sendo que na Antiga Aliança fazia sentido, pois não havia a Nova, mas agora a Antiga está abolida, logo eles são abolidos de Deus...

Ainda assim, graças a Deus porque alguns deles vão já lá dentro levantando-se contra aquilo, pregando Graça e Deus como sendo Amor, investindo os recursos maioritariamente em missões e actos de serviço aos pequeninos deste mundo, sendo que apesar de fazerem estas boas coisas, ainda assim fazem um mea culpa, falando contra o sistema instituído...
Este poucos valentes, são os tais a quem Jesus honra a fé, o amor, o serviço aos santos, dentro de comunidades institucionalizadas, mas que mais tarde ou mais cedo, ou são expulsos pela maior parte do corpo doente; ou eles mesmos saem por verem que tal sistema que fala em Nome do Cristo, é da essência dos poderes deste mundo e das religiões obsoletas e portanto do anti-cristo...

Mas enquanto não saem, vão denunciando aquilo lá dentro e confirmando a profecia de Jesus, a qual afirma que Jesus tem gente boa, até em comunidades que sentam onde se senta satanás...

Grande é a graça de Deus que tem sua Igreja dentro e fora de sistemas institucionais, infinito e lindo é o Evangelho que jamais será abolido pela religião...

Maravilhosa graça que aboliu a religião, mas consegue salvar gente dentro do que está abolido!

Mas inefável é a graça que os tira dali de dentro para uma liberdade maior!

Sim, graças a Deus que eles são abolidos de Deus, que Deus aboliu as maluquices deles...

Que todos nós possamos ser abolidos de Deus em Cristo e levantados para ser Igreja de Deus em Cristo, pois tudo o que não presta em nós está a ser abolido!

Você duvida?! Não duvide meu amigo, tudo o que não presta e é abalável está sendo abalado por Deus e a ser abolido, a fim de que apenas as coisas inabaláveis permaneçam...

Mas saiba Deus abala com Amor!

Eu já fui abolido em Cristo, a fim de ressuscitar Igreja, Noiva daquEle que veio ao meu encontro no descampado no chão da vida: Jesus, meu Novo Isaque...


J.P. Maia, em Abril de 2014, á sombra das asas daquEle que
profetizou que sua casa lhes ficaria deserta.

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